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Do medo ao recomeço: relato emociona roda de conversa no SAE Emanuel Gomes Pinto

Usuária compartilha trajetória de acolhimento, superação e amor após o diagnóstico do HIV, durante atividade sobre adesão ao tratamento e enfrentamento ao estigma

Uma história marcada pelo medo, pela superação e pela reconstrução da vida emocionou participantes durante uma roda de conversa realizada no SAE Emanuel Gomes Pinto no dia 27 de maio de 2026. Em meio às orientações sobre saúde e prevenção, o relato de uma usuária trouxe à tona os desafios do diagnóstico do HIV, os impactos do preconceito e a importância do acolhimento para seguir em frente.

A atividade aconteceu na sala de espera da unidade, reunindo usuários que aguardavam atendimentos de rotina. Conduzido pelos educadores sociais da RNP+ Ceará, Francisco das Chagas Pereira e Ivoneide Santos, o encontro promoveu um espaço de escuta, informação e troca de experiências sobre adesão ao tratamento, prevenção e qualidade de vida para pessoas vivendo com HIV/AIDS.

“Viver com HIV é também resistir, amar e recomeçar”

Relato de usuária emocionou participantes ao compartilhar sua trajetória de acolhimento e superação

Durante a roda de conversa, uma usuária decidiu compartilhar parte de sua história de vida. Segundo o relato, a descoberta do HIV aconteceu após o adoecimento do então companheiro, que recebeu o diagnóstico durante um período de internação hospitalar, em meio a complicações de saúde.

Ao realizar exames, ela também descobriu que vivia com o vírus. O impacto inicial foi marcado pelo medo, pela insegurança e pelo receio da morte. No entanto, encontrou acolhimento dentro de casa. Os três filhos receberam o diagnóstico da mãe com respeito e amor, tornando-se uma importante rede de apoio em um dos momentos mais difíceis de sua trajetória.

Com o passar dos anos, em acompanhamento no próprio SAE e aderindo ao tratamento, a usuária reconstruiu sua vida. Hoje, vive uma nova história ao lado de um companheiro que também vive com HIV. O relato, permeado por emoção e esperança, mostrou aos participantes que viver com HIV vai muito além do diagnóstico — envolve afeto, dignidade, pertencimento e a possibilidade de recomeçar.

Encontro destacou a importância das consultas, exames, medicação e prevenção no cuidado contínuo

Além do momento de escuta e troca de experiências, a atividade também abordou orientações sobre a importância da adesão ao tratamento como parte essencial do cuidado integral à saúde.

Os educadores sociais dialogaram com os usuários sobre a necessidade de manter consultas regulares, realizar exames periódicos, incluindo o CD4, seguir corretamente o uso da medicação nos horários adequados e estar atento à prevenção e ao diagnóstico precoce da tuberculose e das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), com destaque para sífilis.

A atualização do cartão vacinal também esteve entre os temas discutidos, com orientações sobre a importância da imunização contra gripe, hepatites e outras doenças preveníveis, compreendendo a vacinação como uma aliada importante no fortalecimento da saúde das pessoas vivendo com HIV/AIDS.

“O preconceito ainda adoece — e o acolhimento também faz parte do tratamento”

Reflexões sobre estigma e saúde mental abriram espaço para diálogo e pertencimento

A roda de conversa também promoveu reflexões sobre os impactos do preconceito e da discriminação na vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Inspirado nas reflexões do ativista Herbert Daniel, o diálogo ressaltou que, embora a ciência tenha avançado e transformado o HIV em uma condição crônica tratável, o estigma ainda produz silêncio, vergonha e exclusão social.

Os educadores destacaram que falar sobre HIV/AIDS também significa defender o direito à vida em sua dimensão mais ampla — não apenas biologicamente, mas com dignidade, autonomia, saúde mental e pertencimento. A ciência avançou, o tratamento mudou e muitas vidas foram transformadas. Mas o preconceito ainda produz silêncio, vergonha e exclusão social.

Ao final da atividade, foram distribuídas cartilhas educativas e realizada a assinatura da frequência. Embora alguns usuários tenham demonstrado resistência em participar ou receber materiais, a equipe respeitou as individualidades, mantendo uma abordagem acolhedora e sem imposições.

A ação contou ainda com o acolhimento da equipe do serviço, incluindo o assistente social Názio e o psicólogo Francisco Jackson, fortalecendo o compromisso do SAE Emanuel Gomes Pinto com o cuidado humanizado, a escuta qualificada e a promoção da saúde integral.

Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)

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