SAUDE

HIV e AIDS: Entenda a diferença

30/11/2018 ás 01:08:43

Conviver com o vírus HIV é diferente de viver com AIDS. O HIV, sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As mais atingidas são as células brancas de defesa, os leucócitos. O vírus se insere dentro do DNA destas células e faz milhões de cópias de si mesmo, rompendo a célula em busca de outras para continuar a infecção. Já a AIDS (da sigla em inglês, síndrome da imunodeficiência adquirida) é o estágio mais avançado desta infecção, porque o vírus, ao destruir as células de defesa, deixa o organismo mais vulnerável a diversas doenças. “De um simples resfriado a infecções mais graves como a tuberculose, o indivíduo nesta fase corre riscos maiores de ficar doente. Outra consequência é o aumento da incidência de vários tipos de câncer, principalmente naqueles pacientes com a doença não controlada. O HIV também causa um aumento do risco de problemas cardiovasculares e neurológicos devido à inflamação crônica”, ressalta Paulo Gewehr, médico infectologista e Coordenador do Núcleo de Vacinas do Hospital Moinhos de Vento.

Mas nem todo indivíduo que vive com o vírus chega a desenvolver a síndrome. Isso acontece por conta das variações dos sistemas imunológicos de cada pessoa ao combater o HIV. Em alguns casos a infecção evoluirá mais rápido do que em outros, chegando a fase chamada de AIDS. “Quase todos os indivíduos portadores do vírus sem tratamento adequado evoluirão para a síndrome da imunodeficiência adquirida, variando de meses a anos. Mas uma parcela muito pequena consegue controlar a infecção através de características genéticas muito específicas dos seus sistemas de defesa, impedindo que a infecção evolua”, esclarece o profissional.

“É importante ressaltar que a pessoa portadora do vírus tem uma vida praticamente normal. Ela deve usar os medicamentos indicados, fazer acompanhamentos clínicos regularmente e manter práticas saudáveis como atividades físicas e alimentação adequada. Além disso, é fundamental o uso de preservativos para evitar a transmissão do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis”, salienta o médico. Já o indivíduo que está na fase da AIDS precisa, além de tomar os medicamentos antirretrovirais para o tratamento do vírus, fazer uso de outras medicações para prevenir infecções bacterianas, virais e fúngicas conforme cada caso, até que o sistema imunológico se restabeleça.

Mas nem todo indivíduo que vive com o vírus chega a desenvolver a síndrome. Isso acontece por conta das variações dos sistemas imunológicos de cada pessoa ao combater o HIV.

“Hoje, os medicamentos que combatem o vírus HIV são utilizados assim que o diagnóstico é feito. As medicações mais antigas apresentavam vários efeitos colaterais como náuseas, vômitos, dor de cabeça e abdominal, diminuição do apetite, mal-estar e outros sintomas. Avanços recentes conseguiram reunir três antirretrovirais em um único comprimido facilitando a adesão ao tratamento e a aumentando a comodidade do paciente”, aponta o médico. Com estas evoluções no tratamento, os novos antirretrovirais são mais potentes, têm menos efeitos colaterais e menor número de comprimidos, facilitando o controle da doença.

Recentemente, duas estratégias de tratamento preventivo oferecem novas armas no combate a transmissão do HIV, diminuindo de forma importante a transmissão do HIV, a PrEP e a PEP. A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia de prevenção que utiliza medicamentos antirretrovirais de forma contínua por pessoas não infectadas a fim de reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), é uma estratégia de prevenção que utiliza medicamentos antirretrovirais durante 28 dias em pessoas que tiveram risco de contato com o HIV através de relações sexuais desprotegidas ou acidentes de trabalho com exposição a material biológico, com a finalidade de impedir que o HIV se instale no organismo de forma definitiva. Este tratamento deve ser iniciado logo após a situação de risco sendo no prazo máximo de 72 horas. Importante lembrar que apesar da importância destas ferramentas de prevenção, o uso do preservativo é fundamental para a prática de sexo seguro, assim como a avaliação e o acompanhamento médico.

Não existe ainda uma cura para o vírus HIV, pois ele consegue se esconder em alguns lugares do organismo chamados de santuários – reservatórios onde o vírus fica protegido da ação do sistema imunológico e dos antirretrovirais -, fugindo da ação das medicações que tentam combatê-lo. Além disso, ele pode apresentar uma infinidade de formas diferentes graças às milhares de mutações que desenvolve ao se multiplicar, dificultando a criação de uma vacina. Mesmo com todas estas informações, alguns pacientes esquecem de tomar seus antirretrovirais regularmente e isso faz com que o HIV fique resistente a eles, passando a multiplicar-se novamente e atacar o sistema imunológico. Portanto o uso correto das medicações, o monitoramento através de exames e o acompanhamento clínico regular são fatores fundamentais para manter a doença controlada.

Paulo Gewehr (CRM: 29512), médico infectologista do Serviço de Infectologia e Coordenador do Núcleo de Vacinas do Hospital Moinhos de Vento. (LINK: http://www.hospitalmoinhos.org.br/servico-ambulatorial/vacinas/)

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