
Cada roda de conversa traz histórias diferentes, mas todas revelam algo em comum: a busca por informação, acolhimento e cuidado. Foi assim durante a atividade realizada com usuários do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Caucaia, onde relatos de diagnóstico, apoio familiar e desafios no tratamento marcaram o encontro.
No dia 17 de abril de 2026, as educadoras sociais Almerinda Oliveira e Orleanda Gomes, do projeto da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+ Ceará), conduziram a roda de conversa na sala de espera da unidade, criando um espaço de diálogo e escuta entre os usuários do serviço.
Ao longo da atividade, diferentes histórias mostraram os desafios, os medos e também as redes de apoio que fazem diferença no enfrentamento do diagnóstico.
Diagnóstico recente e o valor da informação
Entre os relatos, chamou atenção a história de um casal de homens em que um deles já vivia com HIV e o outro havia recebido o diagnóstico há apenas dois meses. Apesar da notícia recente, o jovem demonstrava tranquilidade. Segundo ele, a informação recebida e o acolhimento da equipe do SAE foram fundamentais para lidar com a situação de forma mais segura.
Barreiras para acessar o tratamento
Outro jovem, de 26 anos, contou que precisa viajar de outro município para realizar o acompanhamento no
serviço. Para garantir o atendimento, ele paga cerca de R$ 120 pelo deslocamento.
Estudante universitário, ele relatou que não consegue utilizar o transporte disponibilizado pela prefeitura de sua cidade, que sai por volta das três da manhã. Além disso, afirmou que evita realizar o tratamento no próprio município por receio do estigma e da exposição.
Apoio familiar diante do diagnóstico
A roda de conversa também revelou histórias marcadas pela presença da família. Um jovem de 23 anos, diagnosticado há três meses, chegou ao serviço acompanhado da irmã. Foi ela quem procurou as educadoras para conversar sobre o impacto da notícia.
A irmã contou que foi a primeira pessoa a quem ele revelou o diagnóstico. Segundo ela, a descoberta foi difícil e trouxe muita ansiedade e preocupação. “Passei uma semana muito mal”, relatou emocionada. Mesmo assim, destacou que decidiu permanecer ao lado do irmão e apoiar o tratamento. Posteriormente, ambos compartilharam a notícia com a mãe, fortalecendo a rede de apoio familiar.
Acolhimento à gestante recém-diagnosticada
Durante a atividade, a enfermeira Sabrina convidou uma das educadoras para participar do acolhimento de uma gestante em sua primeira consulta após o diagnóstico.
A jovem, de 23 anos e com dois meses de gestação, demonstrava medo e muitas dúvidas sobre o futuro do bebê. Durante a conversa, recebeu orientações e apoio sobre a prevenção da transmissão vertical do HIV.
Foi explicado que, seguindo corretamente o tratamento e as orientações médicas, as chances de o bebê nascer sem HIV são extremamente altas. A gestante também expressou tristeza ao saber que não poderá amamentar, mas compreendeu que a medida é importante para proteger a criança.
Ela relatou ainda dúvidas sobre o tipo de parto, após ouvir que poderia precisar de uma cesariana. O marido esteve presente durante a consulta, demonstrando apoio, e informou que também fará o teste de HIV. O casal já tem uma filha de cinco anos diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Procura por testes e prevenção
Ao longo da manhã, pelo menos quatro pessoas procuraram o serviço para realizar o teste rápido de HIV. Entre elas estava uma pessoa em situação de rua, que também solicitou preservativos para levar e distribuir entre outros colegas.
A procura pelos testes e pelos insumos de prevenção foi considerada pelas educadoras um sinal importante de que a informação e o acesso aos serviços de saúde seguem sendo ferramentas fundamentais no enfrentamento do HIV/AIDS.
A roda de conversa reforçou, mais uma vez, o papel do diálogo, da escuta e do acolhimento como parte essencial do cuidado em saúde e da luta contra o estigma que ainda cerca o tema.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




