
Na manhã de 15 de abril de 2026, usuários do ambulatório do SAE Hospital São José participaram de uma roda de conversa sobre autocuidado, prevenção e informação em saúde. A atividade foi conduzida pelas educadoras sociais Orleanda Gomes e Almerinda Oliveira, integrantes do projeto da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids – Núcleo Ceará (RNP+ Ceará).
Durante o encontro, foram apresentadas perguntas escritas em folhas sobre conceitos científicos importantes relacionados ao HIV, como I=I (Indetectável = Intransmissível) e I=0 (Indetectável = Zero transmissão do HIV), estimulando a participação do público. Ao serem questionadas se conheciam esses significados, mais de 20 pessoas presentes disseram nunca ter ouvido falar sobre o tema. A partir disso, as educadoras explicaram os conceitos, responderam dúvidas e distribuíram cartilhas informativas.
A conversa também destacou a importância do autocuidado para quem vive com HIV/AIDS: manter a adesão ao tratamento, não faltar às consultas, manter o calendário vacinal em dia e cuidar da própria saúde como forma de garantir mais qualidade de vida.
Escuta e acolhimento
Além das orientações, o momento abriu espaço para relatos pessoais dos participantes. Uma das usuárias
compartilhou a dor de ainda não conseguir contar para familiares que vive com HIV.
“Tenho medo de sofrer preconceito dentro da minha própria casa”, relatou, revelando um sentimento que ainda acompanha muitas pessoas diante do estigma associado ao vírus.
Situações como essa reforçam a importância de espaços de escuta e acolhimento dentro dos serviços de saúde, onde as pessoas possam falar sobre suas experiências e encontrar apoio.
Desafios no acesso à prevenção
Outro relato que chamou a atenção veio de uma funcionária do próprio hospital. Ao se aproximar da atividade, ela perguntou se estava sendo realizada vacinação no local. Em seguida, explicou que ainda não havia conseguido tomar a vacina contra a gripe.
Segundo ela, quando chega em casa, o posto de saúde do seu bairro já está fechado, e no trabalho não consegue chegar mais tarde pela manhã para se vacinar, pois não recebe liberação da chefia.
A situação revela como, muitas vezes, até profissionais que trabalham em ambientes de saúde enfrentam dificuldades para acessar medidas básicas de prevenção.
Valorização do SUS e dos serviços de saúde
Durante a atividade, as educadoras também destacaram a importância de valorizar os profissionais e os serviços de saúde. Mesmo diante de limitações estruturais e desafios no espaço físico, o atendimento oferecido no ambulatório conta com equipes comprometidas com o cuidado e o acompanhamento das pessoas vivendo com HIV.
Todo esse atendimento é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por oferecer gratuitamente diagnóstico, tratamento, medicamentos e acompanhamento especializado para quem vive com HIV/AIDS no Brasil.
A roda de conversa terminou com boa participação do público e mostrou, mais uma vez, que informação, escuta e acolhimento continuam sendo ferramentas fundamentais para enfrentar o estigma e fortalecer o cuidado em saúde.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




