
Perguntas diretas, curiosidade e vontade de entender melhor o assunto marcaram a roda de conversa realizada na manhã de 30 de março de 2026, no SAE Pacajus. A atividade, conduzida pelas educadoras sociais Orleanda Gomes e Almerinda Oliveira, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids no Ceará (RNP+ Ceará), abriu espaço para falar sobre prevenção, tratamento e responder dúvidas ainda comuns sobre o HIV/AIDS.
Durante o encontro, usuários do serviço participaram ativamente da conversa, trazendo perguntas e experiências pessoais relacionadas ao tema. A atividade também incluiu a distribuição de cartilhas informativas e insumos de prevenção, como preservativos, que foram bem recebidos pelos participantes, especialmente pelas mulheres presentes.
Uma das participantes, que se apresentou como assistente social, destacou a importância de iniciativas como essa dentro dos serviços de saúde. Ela contou que tem duas irmãs trans e relatou que o preconceito ainda é uma realidade constante, manifestando-se de diferentes formas no cotidiano. Segundo ela, momentos de informação e diálogo são fundamentais para enfrentar essas situações. A participante demonstrou interesse em levar uma atividade semelhante para o local onde trabalha e autorizou o registro de fotos com a equipe.
Dúvidas sobre tratamento e novas formas de terapia
Entre as perguntas levantadas pelos participantes, surgiu a curiosidade sobre os tratamentos atuais para o HIV, especialmente sobre a possibilidade de algumas pessoas utilizarem apenas um comprimido por dia na terapia antirretroviral.
As educadoras explicaram que existem esquemas terapêuticos mais modernos que permitem essa forma de tratamento, mas que nem todas as pessoas estão aptas a utilizá-los. A adoção desse tipo de esquema depende de critérios clínicos específicos e sempre deve ocorrer sob orientação médica e acompanhamento da equipe de saúde.
Durante a conversa, também foi destacada a importância de utilizar termos atualizados e acolhedores, evitando expressões antigas como “coquetel” ou “portador”, que já não são recomendadas no contexto atual da resposta ao HIV/AIDS.
Respondendo mitos sobre a transmissão
A roda de conversa também trouxe à tona dúvidas comuns relacionadas à transmissão do HIV. Um dos
participantes questionou por que o vírus pode ser transmitido por fluidos como o sêmen, mas não pela saliva.
As educadoras explicaram que diferentes fluidos corporais apresentam concentrações distintas do vírus, e que as informações sobre transmissão são baseadas em evidências científicas. Foi reforçado que o HIV não é transmitido pelo beijo nem por interações cotidianas como uso compartilhado de banheiros e piscinas, talheres, copos e prato.
Outra pergunta levantada foi sobre a possibilidade de transmissão ao entrar em contato com o sangue de uma pessoa vivendo com HIV/AIDS. A equipe explicou que a transmissão depende de situações específicas, como o contato direto de sangue com feridas abertas ou mucosas, reforçando que o convívio social não representa risco.
Histórias que revelam o impacto do preconceito
Ao final da atividade, uma mulher que acompanhava a conversa se aproximou para compartilhar uma história pessoal. Ela contou que tem um irmão e uma cunhada que vivem com HIV e realizam tratamento no Hospital São José, em Fortaleza. Segundo ela, o casal enfrenta o preconceito dentro da própria família.
“Dos irmãos, apenas eu e nossa mãe demos apoio quando eles receberam o diagnóstico”, relatou. A mãe, que acolheu o casal naquele momento, já faleceu.
Apesar das dificuldades, ela destacou que o casal teve dois filhos após o diagnóstico e que ambos nasceram sem HIV, graças ao acompanhamento médico e ao tratamento adequado durante a gestação.
O relato emocionou quem ainda permanecia no local e reforçou a importância dos avanços científicos e do acesso ao tratamento garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao mesmo tempo, a história também lembrou que, mesmo com tantos progressos, o enfrentamento ao estigma e ao preconceito ainda é um desafio presente na vida das pessoas que vivem com HIV/AIDS.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




