
Em um ambiente de diálogo e troca de experiências, usuários do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Cascavel participaram, no dia 22 de abril de 2026, de uma roda de conversa sobre adesão ao tratamento, prevenção e autocuidado entre pessoas vivendo com HIV/AIDS. A atividade foi conduzida pelos educadores sociais da RNP+ Ceará, Francisco das Chagas Pereira e Ivoneide Santos.
Informação para prevenir e cuidar
O encontro começou com uma explicação simples e acessível sobre os patógenos — micro-organismos capazes de causar doenças, como bactérias, vírus, protozoários e fungos. Durante a conversa, os educadores destacaram que muitos desses agentes são invisíveis aos olhos humanos e podem ser transmitidos entre pessoas, especialmente por meio de relações sexuais sem proteção. Por isso, reforçaram a importância da informação, da prevenção e do cuidado constante com a saúde.
A partir desse ponto, o diálogo avançou para a importância da adesão correta ao tratamento. Os educadores lembraram que seguir as orientações médicas, tomar a medicação regularmente e manter o acompanhamento no serviço de saúde são atitudes fundamentais para preservar a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/AIDS (PVHA).
Falaram sobre sífilis, tuberculose, além das estratégias de prevenção combinada, incluindo o uso da PrEP (profilaxia pré-exposição) e da PEP (profilaxia pós-exposição). A conversa reforçou que o cuidado com a saúde deve ser compartilhado entre parceiros e que o autocuidado é individual e parte essencial da vida cotidiana.
Material educativo como apoio ao cuidado
Outro tema apresentado foi a Cartilha de Prevenção PositHIVa da RNP+, utilizada como material de apoio durante a atividade. A publicação reúne informações, dados e orientações sobre prevenção e adesão ao tratamento, oferecendo aos usuários conteúdos educativos que ajudam a compreender melhor os cuidados necessários para viver com mais saúde.
Dinâmica de “Mito ou Verdade”
Para tornar o encontro mais participativo, os educadores realizaram uma dinâmica interativa com perguntas sobre adesão ao tratamento. Cada participante recebeu placas para responder se determinadas afirmações eram “mito” ou “verdade”.
Entre os exemplos discutidos estava a dúvida sobre o horário da medicação antirretroviral — se tomar o remédio em horário diferente do habitual poderia prejudicar o tratamento. E foi explicado que manter a tomada diária dos medicamentos no mesmo horário é muito importante e evita que o HIV fique resistente ao tratamento.
A atividade estimulou reflexões e permitiu que os participantes compartilhassem experiências do cotidiano relacionadas ao uso da medicação. A proposta da dinâmica foi avaliar de forma leve e participativa o nível de compreensão dos usuários sobre o tratamento e reforçar informações importantes para o cuidado contínuo com a saúde.
Relatos que revelam desafios e superação
O momento também abriu espaço para relatos pessoais dos participantes. Um dos usuários contou que cuida da esposa, que está em estágio de AIDS e precisa se deslocar em cadeira de rodas para realizar o tratamento no serviço. Ele explicou que muitas vezes não consegue participar das reuniões por estar dedicado ao cuidado dela.

Outro participante, já na terceira idade, compartilhou que vive com HIV e também com diabetes. Mesmo enfrentando essas condições de saúde, afirmou que procura manter os cuidados necessários e destacou que as orientações recebidas na roda de conversa ajudam a fortalecer ainda mais sua adesão ao tratamento. Segundo ele, a atividade foi tão didática e enriquecedora que parecia uma verdadeira aula sobre saúde e autocuidado.
Informação que fortalece o cuidado
Ao final da atividade, os educadores reforçaram que levar informação confiável aos usuários é parte essencial
do trabalho de educação entre pares, especialmente porque eles também vivem com HIV e compartilham experiências reais sobre o tratamento.
A roda de conversa terminou em um clima de acolhimento e descontração, com uma breve homenagem aos aniversariantes do mês.
A atividade contou com o apoio da coordenadora do serviço, Lúcia Helena Ribeiro Batista, e da assistente social Tarquisia Ribeiro de Lima.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




