
Na sala de espera do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Horizonte, a manhã de 20 de abril de 2026 começou de forma diferente da rotina habitual. Enquanto aguardavam atendimento, usuários do serviço participaram de um momento de diálogo e troca de experiências com educadores sociais da RNP+ Ceará. A atividade, iniciada às 8h17 e conduzida por Francisco das Chagas Pereira e Ivoneide Santos, transformou o tempo de espera em um espaço de conversa sobre cuidado, tratamento e qualidade de vida para pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA).
Durante a atividade, os educadores abordaram a importância da continuidade do tratamento e do acompanhamento regular no serviço de saúde, destacando que a adesão é fundamental para manter a qualidade de vida e o controle do vírus. A conversa também incluiu orientações sobre a importância de manter a vacinação atualizada, especialmente em períodos de maior circulação de vírus respiratórios, como os da gripe.
Outro tema presente no diálogo foi a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Foram discutidas estratégias da prevenção combinada, incluindo o uso do preservativo para homens e mulheres, com atenção especial ao público jovem que também frequenta o serviço.
Chamou atenção o comportamento de alguns usuários que chegam ao serviço e
procuram sair rapidamente após o atendimento. Para os educadores sociais, essa atitude muitas vezes ainda está relacionada ao estigma e ao receio de serem reconhecidos no local. Diante disso, o trabalho de educação entre pares busca justamente criar um ambiente de acolhimento, onde as pessoas possam se sentir mais seguras para cuidar da própria saúde e manter o acompanhamento médico.
A equipe também destacou a preocupação com usuários que deixam de comparecer às consultas agendadas. A presença regular no serviço é considerada essencial para garantir o acompanhamento adequado do tratamento e prevenir complicações de saúde.
Outro ponto abordado foi o conceito I=ZERO (Indetectável = ZERO). Durante a conversa, alguns participantes apresentaram dúvidas sobre o significado da sigla, o que abriu espaço para explicar que: com adesão correta e contínua ao tratamento a carga viral fica INDETECTÁVEL, e o risco de transmissão sexual do HIV é ZERO.

Também foram compartilhadas orientações sobre a prevenção de outras doenças importantes, como tuberculose e sífilis, além do alerta para infecções oportunistas que podem surgir quando o cuidado com a saúde não é mantido de forma contínua.
A ação contou ainda com o apoio da equipe do SAE de Horizonte, que acompanhou o trabalho realizado no serviço. Estiveram presentes a coordenadora da unidade, Leila Pires Lima, o farmacêutico Lucas Amaral Lima e a técnica de enfermagem Maria Leilane Pessoa. O médico Dr. Rômulo também participou do registro do momento com os educadores.

Transformar a sala de espera em espaço de conversa é mais do que informar,
é fortalecer vínculos, reduzir medos e lembrar que cuidar da saúde também é um ato de coragem e autonomia.
O encontro reafirmou o papel da educação entre pares como estratégia de acolhimento e cuidado. O diálogo e partilha de experiências, ajudam a reduzir medos, ampliar o acesso à informação e fortalecer o vínculo das pessoas com o tratamento — um passo essencial para garantir saúde, dignidade e qualidade de vida para as PVHA.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




