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Onde tem acolhimento, ninguém precisa caminhar sozinho

Roda de conversa no SAE de Cascavel une informação científica, apoio emocional, incentivo à adesão ao tratamento do HIV e enfrentamento do preconceito

Entre dúvidas, relatos emocionados e troca de experiências, a manhã do dia 19 de fevereiro de 2026 foi marcada por escuta ativa e orientação qualificada no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) da Policlínica de Cascavel. Mais do que uma atividade educativa, a roda de conversa realizada pelos educadores sociais da RNP+ Ceará, se transformou em um espaço seguro de partilha, aprendizado e fortalecimento coletivo.

Durante o encontro, foram distribuídas cartilhas educativas da RNP+ Ceará, utilizadas como ferramenta de apoio às orientações compartilhadas. O material aborda, de forma acessível, temas como adesão correta à terapia antirretroviral, importância do acompanhamento médico regular, realização de exames periódicos e manutenção da medicação conforme prescrição.

Os educadores sociais reforçaram que o autocuidado é essencial para garantir qualidade de vida às pessoas que vivem com HIV/AIDS. A orientação destacou a necessidade de não faltar às consultas, observar possíveis mudanças na medicação prescrita — sempre esclarecendo as razões junto à equipe médica — e manter uma relação de diálogo e confiança com os profissionais de saúde.

Prevenção combinada e esclarecimento de dúvidas

A roda de conversa também abordou a prevenção combinada, com destaque para a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e o uso consistente de preservativos.

Questões importantes foram levantadas pelos participantes. Entre elas:

  • Sexo oral sem preservativo transmite HIV?
  • O beijo transmite o vírus?
  • Há risco de infecção por meio da saliva?

As dúvidas foram respondidas com base em evidências científicas: o HIV não é transmitido pelo beijo, nem pela saliva, e o risco de transmissão no sexo oral é considerado extremamente baixo, especialmente na ausência de feridas ou sangramentos. O momento reforçou a importância de combater mitos que ainda alimentam o estigma.

Também foram discutidas outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis e tuberculose, além da importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

Relatos que revelam o peso do preconceito

O espaço de escuta permitiu que usuários compartilhassem vivências marcadas por dor, discriminação e rupturas familiares. Uma paciente relatou que vivia com a família, mas, diante do preconceito enfrentado após a revelação do diagnóstico, precisou deixar o convívio familiar e reconstruir a própria vida longe dos parentes.
Um dos usuários relatou que, ao informar a esposa sobre sua sorologia, acabou sendo afastado do convívio com os filhos. Houve ainda depoimentos de mulheres que perderam seus companheiros para a AIDS e seguem em tratamento.

 

As falas evidenciaram que o estigma e a desinformação ainda produzem impactos profundos na vida das pessoas que vivem com HIV.

Durante uma dinâmica conduzida pelos educadores sociais, o clima de emoção tomou conta do grupo. Alguns participantes, em silêncio e de olhos fechados, deixaram que as lágrimas expressassem dores acumuladas. O acolhimento coletivo, os abraços e as palavras de apoio reforçaram a importância de espaços seguros para expressão de sentimentos e fortalecimento emocional, e que ninguém precisa enfrentar o diagnóstico sozinho.

A psicóloga da unidade destacou a importância da iniciativa e parabenizou o trabalho desenvolvido, ressaltando o valor de ações que promovem informação, escuta qualificada e apoio psicossocial.

Adesão como caminho para viver bem

Ao final da atividade, os educadores reforçaram que a adesão ao tratamento é o ponto central para garantir saúde, qualidade de vida. Manter consultas em dia, realizar exames regularmente e seguir corretamente a medicação são atitudes que fazem diferença concreta na vida de quem vive com o vírus.
Informação, acompanhamento e apoio são pilares fundamentais para que cada pessoa possa viver plenamente.

 

Participaram da atividade a coordenadora do SAE, Lúcia Helena Ribeiro Batista; a recepcionista Vera Lúcia Mendonça Pereira; a farmacêutica Paula Regina Oliveira; a psicóloga Eliane Nagela Cavalcante Costa; o farmacêutico Aldenísio Bento; e os educadores sociais da RNP+ Ceará, Francisco das Chagas Pereira e Ivoneide Santos.

A roda de conversa reafirmou que, quando informação e acolhimento caminham juntos, o cuidado se fortalece — e a adesão deixa de ser apenas uma orientação técnica para se tornar um compromisso com a própria vida.

📍 Projeto da RNP+ Ceará | Apoio: GSK

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