
Na manhã da segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, às 8h, a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+ Ceará) realizou uma visita técnica ao Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Pacajus, com o objetivo de dialogar com a equipe, conhecer o fluxo de atendimento e discutir estratégias para fortalecer a adesão ao tratamento e a qualidade do cuidado ofertado às pessoas vivendo com HIV/AIDS.
A equipe da RNP+ Ceará foi acolhida pela assistente social Lane Santana, que apresentou o funcionamento do serviço e os profissionais que compõem a unidade: Palmas Lima (farmacêutica), Ana Maria (diretora e ouvidora do SAE), Rafael Soares (enfermeiro), Kelly Rocha (diretora-geral), Dra. Lúcia, além de Elvis Furtado, da recepção. O encontro foi marcado por escuta qualificada, troca de experiências e debate coletivo sobre os desafios enfrentados no cotidiano do serviço.

Adesão ao tratamento e informação como pilares do cuidado
Durante a visita, apresentamos o propósito de nossa atuação junto à Policlínica e ao SAE: fortalecer o acompanhamento das pessoas usuárias, incentivar a adesão contínua ao tratamento, prevenir o abandono terapêutico e garantir que a informação correta chegue a quem precisa. A defesa da qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), do autocuidado e do vínculo com a equipe de saúde esteve no centro das discussões.

A proposta é atuar de forma integrada com o SAE, contribuindo com ações educativas, rodas de conversa e estratégias de acolhimento que atendam às demandas reais das pessoas em acompanhamento.
Abrangência regional e fluxo de atendimento
O SAE Pacajus é referência para diversos municípios da região, atendendo usuárias e usuários provenientes de Ocara, Chorozinho, Pacajus, Horizonte, Pindoretama, Cascavel e Beberibe. O fluxo de atendimento inicia-se com acolhimento pela enfermagem, seguido de avaliação clínica, realização de exames e início do tratamento, conforme os protocolos do SUS.
Lane Santana destacou a atuação do Grupo Girassol, espaço de acolhimento que contribui para a escuta, o vínculo e o fortalecimento emocional das pessoas atendidas. Também foi ressaltado que muitos pacientes optam por realizar tratamento fora de seus municípios de origem devido ao medo do preconceito e da exposição, o que reforça a importância de serviços regionalizados e humanizados.
Falta de infectologista e impactos na assistência
Um dos pontos mais sensíveis debatidos durante a visita foi a ausência de um médico infectologista no SAE Pacajus. Apesar do empenho da equipe multiprofissional e da capacitação recebida, os profissionais relataram limitações no acompanhamento clínico especializado, especialmente no manejo de casos mais complexos e na prescrição de PrEP e PEP.
Segundo os relatos, médicos clínicos demonstram insegurança para conduzir esses protocolos sem o suporte de um infectologista, o que acaba restringindo o acesso a essas importantes estratégias de prevenção combinada.
Sobrecarga, financiamento e fragilidade da rede
Outro tema recorrente foi a sobrecarga do serviço, agravada pela redistribuição de pacientes anteriormente atendidos no SAE Hospital São José, referência estadual em HIV/AIDS. A transferência desses usuários para os municípios, sem o devido fortalecimento da rede local, gerou preocupação entre os profissionais quanto à continuidade do cuidado e ao risco de abandono do tratamento.
A equipe também destacou dificuldades relacionadas ao financiamento, uma vez que o SAE Pacajus depende majoritariamente do consórcio intermunicipal, sem repasses específicos e suficientes para a política de HIV/AIDS. A falta de recursos impacta, inclusive, a logística para retirada de medicamentos, sendo necessário recorrer ao apoio de serviços vizinhos, como o SAE Horizonte.
Compromisso, resistência e esperança
Apesar das limitações estruturais, a visita evidenciou o compromisso ético e humano da equipe do SAE Pacajus, que segue garantindo acolhimento, escuta e cuidado responsável às PVHA. Profissionais relataram que, mesmo sem reconhecimento financeiro adequado, mantêm o trabalho baseado no protocolo, na responsabilidade e no respeito à vida.
O encontro foi encerrado com registros fotográficos e assinatura da folha de frequência, deixando um sentimento coletivo de preocupação, mas também de esperança. A expectativa é que, a partir do diálogo com gestores e da articulação com a Secretaria da Saúde do Estado (SESA), sejam viabilizadas soluções urgentes — especialmente a contratação de um infectologista — para fortalecer o SAE Pacajus e garantir um cuidado digno, contínuo e de qualidade.
Esta visita faz parte do projeto Adesão ao Tratamento das PVHA, da RNP+ Ceará com apoio da GSK.




