A manhã de 27 de fevereiro de 2026 foi marcada por mais do que diálogo no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do Posto de Saúde Emanuel Gomes Pinto. O encontro do Grupo Conexão Positiva transformou o espaço em território de reflexão sobre passado, presente e futuro — onde memórias do diagnóstico, desafios enfrentados e aprendizados acumulados se entrelaçaram na construção de uma adesão mais consciente, fortalecida pelo apoio coletivo e pelo protagonismo de cada participante.
Conduzida pelos educadores sociais Francisco das Chagas Pereira, Éder Rebouças e Lúcia Mendonça, da RNP+ Ceará, a roda de conversa partiu de uma premissa central: aderir ao tratamento é assumir a própria história com responsabilidade e autonomia. Mais do que seguir prescrições médicas, o encontro reafirmou que o cuidado nasce da decisão diária de permanecer em acompanhamento, cultivar hábitos saudáveis e enfrentar, com informação e rede de apoio, os estigmas que ainda cercam o HIV/AIDS.
Escuta que acolhe, respeito que protege
A reunião foi aberta pela coordenadora Lane dos Santos, que reforçou a importância do respeito às falas, da preservação do sigilo e do cuidado com exposições indevidas — lembrando que nem todos os participantes têm a sorologia tornada pública. O ambiente seguro foi reafirmado como condição essencial para que cada pessoa pudesse compartilhar sua trajetória com tranquilidade e confiança.
Perguntas que atravessam o tempo e revelam caminhos
Durante o encontro, os educadores provocaram reflexões profundas ao lançar perguntas que tocaram diretamente na história de cada um:
- O que você sabia sobre a AIDS no início da epidemia?
- Como foi o impacto do diagnóstico?
- Como está sua vivência hoje no tratamento?
- Você se sente acolhido no local onde realiza seu acompanhamento?
As respostas revelaram amadurecimento, superação e consciência sobre a importância do cuidado contínuo. Muitos relataram satisfação com o atendimento e reconheceram o grupo como espaço fundamental de troca e fortalecimento.
Também foram abordadas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), tuberculose, sífilis e outras infecções oportunistas, reforçando a importância do acompanhamento regular e da prevenção combinada.
Quando a própria história se transforma em força
Os relatos emocionaram. Uma participante compartilhou que vive com HIV/AIDS há 27 anos e relembrou os desafios enfrentados no início da descoberta, incluindo preconceito familiar e momentos de profunda fragilidade. O acolhimento recebido no serviço de saúde foi decisivo para reconstruir sua perspectiva de vida. Hoje, participa ativamente dos grupos de adesão.
Outro integrante expressou o desejo de que o atual Grupo Conexão Positiva não tenha o mesmo destino do antigo Grupo Fênix, encerrado após o afastamento gradual dos membros. O depoimento reforçou a importância da continuidade e do compromisso coletivo.
Houve ainda espaço para desabafos sensíveis. Uma participante solicitou apoio psicológico e foi acolhida pela equipe e pelo grupo, reafirmando que ninguém precisa enfrentar sua trajetória sozinho.
Expressar para compreender: a arte como cuidado
A atividade incluiu uma dinâmica com recortes e colagens a partir de revistas, permitindo que cada participante representasse simbolicamente sua vivência com o HIV/AIDS. Os cartazes produzidos traduziram sentimentos, desafios e conquistas, fortalecendo o senso de pertencimento e ampliando o diálogo para além das palavras.

Cuidar do corpo é fortalecer a permanência
O encontro também abordou hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e prevenção de doenças crônicas
como diabetes e colesterol alto. A equipe destacou que adesão não se resume ao uso correto da medicação — envolve escolhas diárias que impactam diretamente na qualidade de vida.
Cuidar do corpo, observar o que se consome e manter acompanhamento regular são atitudes que fortalecem a permanência no tratamento e ampliam as possibilidades de viver com saúde.
Do estigma à consciência coletiva
Foi lembrado que o HIV/AIDS, historicamente associado de forma equivocada a determinados grupos sociais, ainda carrega marcas de preconceito alimentadas pela desinformação. Hoje, sabe-se que o vírus pode afetar qualquer pessoa, independentemente de classe social, gênero ou orientação sexual. Combater o estigma passa, necessariamente, pelo acesso à informação qualificada e pelo fortalecimento da consciência coletiva.
Ninguém caminha só: a força da rede
Viver com HIV/AIDS pode ser um percurso de altos e baixos, mas o acompanhamento adequado e a rede de apoio tornam a caminhada mais segura. O Grupo Conexão Positiva se consolida como espaço de fortalecimento emocional, troca de experiências e construção coletiva de sentido.
O encontro contou ainda com a presença do assistente social José Naesio Cabral da Costa, de Francisco Jackson P. Alves e da coordenadora Lane dos Santos.
A próxima roda de conversa já tem data marcada, reafirmando o compromisso com a continuidade do cuidado, do diálogo e da vida.
Ao final, foram distribuídas cartilhas educativas e informativas da RNP+ Ceará, encerrando a atividade com a certeza de que informação, acolhimento e respeito seguem sendo pilares fundamentais para uma adesão consciente e transformadora.
📍 Projeto da RNP+ Ceará | Apoio: GSK




