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Diversidade, respeito e inclusão
Atividade realizada no dia 4 de novembro de 2026, de 8:30 às 12:30, durante a Capacitação de Novos Ativistas Vivendo com HIV, destaca a importância do enfrentamento ao racismo, à LGBTfobia e às desigualdades sociais na construção de uma saúde verdadeiramente inclusiva.

A promoção da diversidade e o enfrentamento às diferentes formas de discriminação foram temas centrais da palestra “Diversidade que fortalece: gênero, orientação sexual, identidade de gênero e raça/cor”, ministrada por Michele Seixas (Associação Brasileira de Lésbicas – ABL) durante a Capacitação de Novos Ativistas Vivendo com HIV, promovida pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids – RNP+ Ceará.
A atividade trouxe reflexões importantes sobre como questões relacionadas ao gênero, à orientação sexual, à identidade de gênero e à raça/cor atravessam a vida das pessoas e influenciam diretamente suas experiências sociais, especialmente no acesso aos serviços de saúde e na garantia de direitos.

Durante a apresentação, Seixas resgatou aspectos históricos do movimento LGBTQIA+, destacando a luta por reconhecimento, respeito e direitos, desde a Revolta de Stonewall, em 1969, até a organização do movimento no Brasil, no final da década de 1970. A abordagem também evidenciou a relação histórica entre o Movimento LGBTQIA+ e o Movimento de Luta Contra a Aids, que, em diferentes momentos, compartilharam estratégias de mobilização e enfrentamento ao preconceito.
O preconceito também se manifesta nos serviços de saúde
Um dos pontos de destaque foi a discussão sobre as diferentes formas de violência e discriminação presentes nos atendimentos de saúde. A apresentação trouxe exemplos de situações de racismo e LGBTfobia que revelam como preconceitos podem comprometer o acolhimento, a qualidade da assistência e a dignidade dos usuários.
Entre as situações abordadas estão comentários racistas direcionados a mulheres negras, como a falsa ideia de que possuem maior resistência à dor, além de atitudes discriminatórias contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
A palestra também chamou atenção para a deslegitimação da identidade de gênero, o desrespeito ao nome social, os julgamentos sobre a orientação sexual e a reprodução de estereótipos que afastam pessoas dos serviços de saúde.
A reflexão reforçou que oferecer atendimento igualitário não significa ignorar as diferenças, mas reconhecer as necessidades específicas de cada pessoa, respeitando suas identidades, trajetórias e condições de vida.
Saúde integral também é uma questão de direitos
Outro eixo importante foi a discussão sobre as políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, com destaque para a Política Nacional de Saúde Integral LGBT e para as garantias relacionadas ao processo transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS).
Foram abordados temas como o direito ao uso do nome social, o acesso à hormonioterapia, o acompanhamento clínico e os procedimentos relacionados ao processo transexualizador.
A exposição também destacou os desafios para que essas políticas sejam efetivamente implementadas, apontando a necessidade de qualificação dos profissionais e dos serviços de saúde para garantir um atendimento acolhedor, respeitoso e livre de discriminação.
Racismo, LGBTfobia e HIV: enfrentando desigualdades
Ao relacionar diversidade e saúde, a palestra também trouxe reflexões sobre o estigma historicamente associado ao HIV e à Aids, especialmente em relação às populações LGBTQIA+.
A discussão evidenciou que o preconceito, a desinformação e a discriminação podem representar obstáculos ao acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento em saúde.
Nesse contexto, compreender as diferentes formas de opressão é fundamental para reconhecer que as vulnerabilidades não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Gênero, orientação sexual, identidade de gênero e raça/cor são dimensões que se cruzam e podem intensificar situações de desigualdade.
Formação de ativistas fortalece a luta por direitos
A abordagem de Michele Seixas contribuiu para ampliar o olhar dos participantes sobre a importância de uma atuação política e social comprometida com os direitos humanos, a equidade e o respeito à diversidade.
A discussão dialoga diretamente com os objetivos da Capacitação de Novos Ativistas Vivendo com HIV, que busca fortalecer novas lideranças e ampliar a participação das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) nos espaços de mobilização, controle social e defesa de direitos.
Mais do que transmitir informações, a formação representa uma oportunidade de desenvolver consciência crítica, reconhecer as diferentes realidades vivenciadas pelas populações e fortalecer estratégias coletivas de enfrentamento ao estigma e à discriminação.
A mensagem central da palestra é que não existe saúde integral sem respeito à diversidade, assim como não existe garantia de direitos sem o enfrentamento ao racismo, à LGBTfobia e a todas as formas de preconceito.
Fortalecer o protagonismo das pessoas vivendo com HIV/AIDS também significa construir espaços de participação nos quais todas as identidades sejam respeitadas e todas as vozes tenham o direito de ser ouvidas.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Unaids| Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




