
Os educadores sociais da RNP+ Ceará, Lúcia Mendonça e Éder Rebouças, realizaram uma roda de conversa no dia 20 de janeiro de 2026 com usuários do SAE Hospital São José, que aguardavam atendimento na sala de espera do serviço de saúde, transformando o tempo de espera em um espaço de escuta, acolhimento e troca de experiências.
Durante o encontro, foram abordados temas centrais como testagem, diagnóstico e adesão ao tratamento, além de relatos marcantes de pessoas que receberam o diagnóstico de HIV ainda nas décadas de 80/90, período marcado pelo medo, pela desinformação e pela ausência de tratamentos eficazes.
Um dos momentos mais sensíveis da roda foi o desabafo de uma pessoa vivendo com HIV/AIDS (PVHA), que compartilhou sua trajetória desde o diagnóstico, recebido em um contexto em que o HIV era associado quase exclusivamente à morte. À época, as falas predominantes reforçavam a ideia de que quem vivia com HIV teria uma vida curta e limitada, especialmente diante das notícias constantes sobre o falecimento de figuras públicas conhecidas nacional e mundialmente, vítimas da AIDS.
Mesmo diante desse cenário, o participante relatou que decidiu não se entregar ao desespero. Como estratégia de sobrevivência emocional, agarrou-se à esperança e buscou formas de enfrentar a angústia provocada pela escassez de informações positivas sobre o futuro. Naquele período, o tratamento se restringia a medicamentos como AZT e DDI, que causavam fortes reações adversas e tornavam o uso diário um grande desafio.
Foi nesse contexto que a arte surgiu como refúgio e ferramenta de cuidado. Após a ingestão dos
medicamentos, ele recorria ao crochê como forma de aliviar o sofrimento, acalmar a mente e lidar com as dificuldades impostas pelo tratamento. Com o tempo, a arte deixou de ser apenas uma estratégia de enfrentamento e se transformou em terapia, sustento e profissão.
Hoje, ele é artesão, possui seu próprio negócio e reconhece que foi justamente no momento mais difícil de sua vida que encontrou um caminho de reconstrução, autonomia e esperança. Seu relato deixou uma lição importante para todos os presentes: apegar-se a algo que gere sentido pode ser fundamental para o cuidado da mente, do corpo e do espírito.
A roda de conversa também reforçou que a realidade das pessoas vivendo com HIV mudou significativamente. Com os avanços da ciência, o diagnóstico não é mais uma sentença de morte. Atualmente, com adesão adequada ao tratamento, é possível viver com qualidade de vida, alcançar a CARGA VIRAL INDETECTÁVEL e, consequentemente, ZERO RISCO DE TRANSMISSÃO SEXUAL DO HIV.
A mensagem que ficou do encontro é: adesão é autocuidado, é autonomia e é vida. E o diálogo, a escuta e o acolhimento seguem sendo ferramentas essenciais na construção desse caminho.
▶️ Projeto da RNP+ Ceará – Adesão ao Tratamento das PVHA, com apoio da GSK.




