
Relatos de superação, denúncias de preconceito e reflexões sobre autocuidado marcaram a manhã de 26 de fevereiro de 2026 no SAE do Hospital São José. A atividade reuniu usuários do serviço em uma roda de conversa conduzida pelos educadores sociais Francisco das Chagas Pereira e Ivoneide Santos, transformando o tempo de espera por atendimento em um espaço de informação qualificada e troca de experiências.
A conversa teve início com uma provocação sobre decisão e responsabilidade com a própria saúde. Os educadores ressaltaram que a adesão ao tratamento é uma escolha diária e consciente, que impacta diretamente na qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/AIDS.
Vivência que fortalece o diálogo
Como pessoas que também vivem com HIV, Francisco e Ivoneide compartilharam suas trajetórias, aproximando o debate da realidade dos participantes. A identificação imediata criou um ambiente de confiança, favorecendo perguntas, relatos e reflexões sobre os desafios do tratamento.
Durante o encontro, foram reforçadas orientações sobre a adesão correta à terapia antirretroviral, a importância da prevenção combinada — incluindo PrEP e PEP — e os cuidados relacionados às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e doenças oportunistas. Temas como alimentação saudável, prática de atividade física e atenção à saúde mental também integraram a discussão.
Os educadores destacaram que os avanços científicos transformaram o HIV em uma condição crônica tratável e que alcançar a INDETECTABILIDADE — quando o vírus não é detectado nos exames — é resultado direto do uso regular da medicação. Alguns participantes relataram mudanças no esquema terapêutico ao longo dos anos e celebraram a conquista da CARGA VIRAL INDETECTÁVEL, reforçando que adesão é sinônimo de qualidade de vida.
Estigma ainda impacta trajetórias
Apesar dos avanços no tratamento, os relatos evidenciaram que o preconceito continua sendo um dos principais
desafios enfrentados por quem vive com HIV/AIDS.
Uma participante compartilhou a situação de um familiar que sofre violência emocional e exploração financeira após a companheira descobrir sua sorologia. Outro caso relatado envolveu discriminação no ambiente de trabalho: ao saberem que o irmão do proprietário de uma fábrica vivia com HIV, funcionários pressionaram pela sua demissão. Por medo de perder a equipe, a empresa optou por afastá-lo. Além do impacto do preconceito, o homem passou a enfrentar sofrimento psicológico.
As histórias causaram comoção entre os presentes e reforçaram a urgência de ampliar o acesso à informação correta como ferramenta de enfrentamento ao estigma.
Informação como ferramenta de cuidado
A roda reafirmou que o cuidado é coletivo e que compartilhar experiências fortalece vínculos e amplia a consciência sobre direitos e saúde. Ao final da atividade — encerrada antes do previsto devido a um apagão no hospital — foram entregues lista de presença e cartilhas educativas da RNP+ Ceará, garantindo a continuidade do acesso à informação.
A equipe também registrou o acolhimento da recepcionista Aline de Souza Façanha, que colaborou com a organização e os registros fotográficos do encontro.
Mais do que um momento de diálogo, a roda de conversa no SAE Hospital São José reafirmou que adesão ao tratamento, prevenção combinada e enfrentamento do estigma caminham juntos na construção de uma vida com dignidade, saúde e esperança.
📍 Projeto da RNP+ Ceará | Apoio: GSK




