
No dia 20 de março de 2026, as educadoras sociais Orleanda Gomes e Almerinda Oliveira, integrantes do projeto da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids no Ceará (RNP+CE), em parceria com o Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), realizaram uma atividade educativa com usuários do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Caucaia.
A equipe foi recebida pela coordenadora Georgia, que acolheu as educadoras e contribuiu para a aproximação com os usuários que chegavam ao serviço ao longo da manhã, apresentando o projeto da rede e facilitando o diálogo.
Acolhimento que abre caminhos para o diálogo
Durante a atividade, foram distribuídas cartilhas educativas do projeto, contendo informações sobre prevenção, cuidado e adesão ao tratamento, além de insumos de prevenção ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como preservativos externos e internos.
Naquele dia, o médico infectologista não estava presente, e muitos usuários passaram pelo serviço apenas para retirar a terapia antirretroviral (TARV), buscar a profilaxia pré-exposição (PrEP), conversar com o serviço social ou obter orientações. Esse fluxo permitiu que as educadoras conversassem individualmente com diversas pessoas, promovendo informação e acolhimento.
Quando a informação chega no momento certo
Algumas situações vivenciadas durante a atividade evidenciaram a importância de respeitar o tempo de cada
pessoa. Duas mulheres chegaram ao local: uma delas, bastante agitada, procurava atendimento do serviço social e afirmou que não queria participar de nenhuma conversa naquele momento.
Já a outra, acompanhada de duas crianças, ouviu as orientações e comentou que não mantinha relações sexuais havia algum tempo, mas ainda assim decidiu levar preservativos.
Minutos depois, a primeira usuária retornou mais tranquila e demonstrou curiosidade sobre um dos insumos apresentados: o preservativo interno, identificado pela embalagem roxa. Após receber explicações sobre o método de prevenção, ela aceitou os insumos e autorizou o registro fotográfico da atividade. Segundo as educadoras, essa mudança de postura aconteceu porque seu tempo e seu momento foram respeitados.
Outro episódio chamou atenção quando um senhor, que estava no local para retirar a medicação da sobrinha, decidiu levar preservativos para ela. Ele explicou que a jovem sente vergonha de buscar os medicamentos pessoalmente e, por isso, ele se dispôs a ajudá-la.
Pequenas histórias que revelam grandes desafios
A visita também revelou situações que demonstram os desafios ainda presentes no cotidiano dos serviços de saúde. Uma das observações feitas pelas educadoras foi a presença de uma funcionária trabalhando mesmo estando em tratamento para uma infecção bacteriana há quatro dias. Segundo relato, a preocupação com possível desconto salarial em caso de ausência teria influenciado sua decisão de permanecer no trabalho.
Situações como essa evidenciam a importância de discutir também as condições de trabalho dos profissionais que atuam nos serviços de saúde.
A importância da acessibilidade nos serviços de saúde
Outro ponto destacado foi a chegada de uma pessoa surda ao serviço. A experiência revelou a necessidade de ampliar a acessibilidade no atendimento, com a presença de profissionais ou intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Garantir esse suporte é fundamental para assegurar que pessoas surdas que vivem com HIV/AIDS tenham
acesso pleno à informação, ao acolhimento e aos serviços de saúde.
A atividade no SAE Caucaia reforçou que o cuidado em saúde vai além da entrega de medicamentos ou insumos: envolve escuta, respeito e inclusão. Garantir que todas as pessoas tenham acesso à informação e ao atendimento adequado segue sendo um passo essencial para fortalecer as políticas públicas de prevenção e cuidado no enfrentamento ao HIV/AIDS.
Projeto da RNP+ Ceará
Apoio: Opas | Dathi
Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




