
Na manhã desta segunda-feira, 23 de março de 2026, no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Horizonte, uma usuária se emocionou ao falar sobre o diagnóstico de HIV que recebeu há três anos. Entre lágrimas, ela contou que ainda sente dor ao ouvir a palavra que mudou sua vida e que, muitas vezes, o medo do preconceito faz com que tente se esconder quando precisa ir ao serviço de saúde. O momento de vulnerabilidade foi acolhido com um abraço da educadora social Ivoneide Santos — uma cena que traduz o verdadeiro sentido da ação realizada no local: informar, escutar e fortalecer a adesão ao tratamento.
A atividade reuniu momentos de orientação, escuta e acolhimento. Durante as conversas, os educadores reforçaram a importância de manter as consultas em dia, realizar exames periódicos e retirar as medicações antirretrovirais nas datas marcadas. Também foram abordados temas relacionados à prevenção e ao cuidado com outras infecções, como sífilis e tuberculose.
Outro ponto destacado foi a importância da vacinação, especialmente neste período de campanha contra a influenza (gripe). Os profissionais também explicaram aos pacientes sobre os avanços da medicina no controle do HIV, ressaltando que o tratamento atual é capaz de bloquear a replicação do vírus no organismo, permitindo que as pessoas vivam com saúde e qualidade de vida quando seguem corretamente a terapia.
Além das orientações em saúde, o encontro também abriu espaço para que os pacientes compartilhassem suas histórias e experiências, revelando diferentes formas de enfrentar o diagnóstico e o processo de adaptação ao tratamento.
Histórias que mostram que cada pessoa enfrenta o diagnóstico de um jeito
Um dos momentos mais marcantes da visita aconteceu quando uma paciente, diagnosticada há três anos,
relatou que ainda enfrenta dificuldades emocionais para lidar com a doença. Segundo ela, falar sobre HIV/AIDS continua sendo doloroso e o medo do preconceito muitas vezes faz com que tente se esconder quando precisa comparecer ao serviço de saúde.
“Falar da palavra HIV ainda dói. Às vezes eu choro, mas sei que preciso aprender a viver com isso.”
Durante o relato, a paciente se emocionou e recebeu um gesto de acolhimento da educadora social Ivoneide Santos, que a abraçou naquele momento. A cena reforçou que, além da informação, o cuidado também passa pela empatia e pela escuta sensível de quem vive essa realidade.
O esposo da paciente, que também realiza tratamento no mesmo serviço, compartilhou uma experiência diferente ao receber o diagnóstico. Segundo ele, o impacto inicial trouxe susto e medo, mas com o tempo passou a encarar o tratamento com mais tranquilidade. “Eu levo como se fosse uma doença que precisa de cuidado, como qualquer outra”, afirmou durante a conversa.
Outro relato foi o de um jovem que utiliza a profilaxia pré-exposição (PrEP) e frequenta o SAE regularmente em busca de informações e acompanhamento. O caso reforça a importância da prevenção combinada e do acesso aos serviços de saúde para quem deseja se proteger do HIV.
Também chamou atenção o depoimento de uma mãe que acompanha o filho de 16 anos que vive com HIV. Segundo ela, o jovem segue corretamente o tratamento com antirretrovirais e também está em acompanhamento para sífilis e hepatite B. Apesar das dificuldades enfrentadas pela família, a mãe destacou a importância do acompanhamento médico e da informação para garantir o cuidado com a saúde do filho.
Outro momento de forte emoção ocorreu quando uma mãe relatou a trajetória do filho autista, de 27 anos, que foi diagnosticado com tuberculose ganglionar — uma forma menos comum da doença que afeta os gânglios linfáticos. Ela contou que inicialmente não sabia o que estava acontecendo com o filho e buscou atendimento em diferentes hospitais até que o diagnóstico correto fosse feito no SAE.
A mãe expressou gratidão ao médico responsável pelo acompanhamento, destacando o cuidado recebido pela equipe do serviço.
Além das orientações e dos momentos de escuta, a ação também contou com a distribuição de revistas educativas e orientações sobre atualização do cartão de vacinação.
A atividade contou ainda com a participação da técnica de enfermagem Leilane Pessoa, do farmacêutico Lucas Amaral e da assistente social Quitéria Ferreira Alexandre. A equipe ressaltou que iniciativas como essa fortalecem o vínculo entre os usuários e o serviço de saúde, ampliando o acesso à informação e incentivando a adesão ao tratamento.
Ao final da visita, os educadores reforçaram que o trabalho vai além da transmissão de informações. Trata-se também de acolher, orientar e caminhar ao lado das pessoas que vivem com HIV, contribuindo para que cada uma delas encontre caminhos de cuidado, dignidade e qualidade de vida.
Projeto da RNP+ Ceará
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Matéria e publicação: Vanessa Campos (@soroposidhiva)




